quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Colher




O solo acolhe e o tempo responde - à semente plantada...
É bem assim. O tempo da colheita demora, mas, para todos, chega! Intensamente, espontaneamente, como resposta de criança.
Para alguns, vêm com doçura, para outros, com 'crueldade'. Mas, para nenhum deles, com injustiça.
Talvez por esse motivo, seja preciso escolher bem as sementes, e, bem assim, o solo adequado. Depois, ainda mais importante que a escolha, é saber plantar. É aprender a ser jardineiro, é saber ser agricultor. E conseguir regar, e ter maturidade suficiente para podar; e, do mesmo modo, para limpar o espaço, afastar as pragas;

Plantando, esperando...

Colhendo!

Adios

 
 
Ninguém pode restituir um amor que já foi embora -  seria como tentar levar um punhado de água do...mar para outra cidade na concha das mãos.
 
(Marla de Queiroz)
 
 
** É mesmo assim...

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

sábado, 22 de outubro de 2011

Volte amanhã


"Então eu prefiro que você volte amanhã. É que eu preciso sentir saudade antes de me apaixonar..."

(Marla de Queiroz)


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

E o amor só pode fazer bem pra gente




"Eu tenho que arranjar algum conforto pra viver. Paixão é bom, eu sei...já tive mais de mil. Mais de mil vezes eu vi que era engano, que era por mim que eu estava chorando e tanto tempo eu tento que me sirva de consolo. Eu quero amar alguém, sem delirar de novo. Se Deus existe mesmo e o amor é seu agente, então ele só pode fazer bem pra gente."

**
Porque, na verdade, 'o amor só faz bem pra gente.' Paixão, às vezes, também faz. É mais gostoso ocupar o pensamento com um rosto que te faz perder o sono, do que passar a vida inteira perdido no vasto espaço da ausência de pensamento. Se for pra sofrer por isso, a gente aceita sofrer. Não há sofrimento mais gostoso.

Risco


Vivendo de riscos, sigo.
Seguindo arriscando, eu vou.
Vou assim...

Correndo o risco de ter uma boa casa e nela me prender,
Ou de não ter casa e na chuva me molhar.
O risco de andar de carro e não poder voltar,
Ou de sair a pé e não dar conta de chegar.
Tanto risco...
Risco de temer e perder a chance,
Ou de não temer e machucar.
Risco de seguir, de encontrar, de confiar, de aproximar,
Também de conseguir, de fracassar, de recomeçar.
Risco que dá medo, medo que não deixa arriscar.
É bem assim,
**
Nilmara Carvalho

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Quando quiser...



Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim.

C.F.A

domingo, 16 de outubro de 2011

Falta II



Sentia saudade de quando as tardes eram mais longas.
Sentia falta de sorrir despreocupada e de gracejar inocentemente.
Sentia saudade do jogo, do desenho, do amor.
A maior falta era do choro que libertava, das brigas impensadas, da volta, da união, da irmandade.
Sentia saudade de correr na chuva, também de se irritar com o vento que balançava, no corpo, a saia rodada.
Mas também do sol ardente que, bem no meio do dia, lhe queimava a face e levava para o céu todas as tristezas e obrigações da manhã que se despedia.
Sentia saudade da rotina: papel e caneta na manhã, contra uma bola e milhões de risos na tarde.
Sentia falta de brincar de ser grande, de chamar a atenção, de deixar florir o amor, de deixar brilhar o olhar.
Sentia saudade das dúvidas, dos medos, de poder pensar, ainda que timidamente, no primeiro amor.
Sentia saudade de ter 3, 7, 14 anos.
Sentia falta, pois jamais pensou em desatar o nó, não pensou em desfazer os laços.
Não pensou que, de todas essas coisas, fosse ela, ainda hoje, sentir tanta falta...
**
Nilmara Carvalho

Ator



A todos enganava que era bom. Aos muitos olhos, foi visto como rei.
Era também o mais belo, o mais forte, o mais nobre.
Enganou que era feliz, que tinha um lar, uma família, um amor.
Quis ser visto como sábio, e por isso, pouco aprendeu;
Quis mostrar que era amado, e por isso, não buscou o amor;
Enganou o amigo, o pedreiro, o doutor.
Enganou sua família, seu vizinho, seu companheiro,
Mas, ainda que continuasse atuando com admirável brilhantismo,
Ainda que desejasse cobrir seus maiores males,
A seu teto, a seu chão, a seu lenço e travesseiro,
Não enganou.

**
Nilmara Carvalho

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Então me abrace

 
 
 
"Me abrace, que no abraço mais do que em palavras, as pessoas se gostam."

Andorinhas


"Nós somos andorinhas, que vão e que vêm à procura de amor,
Às vezes volta cansada, ferida, machucada,
mas volta pra casa, batendo suas asas, com grande dor.
 Igual à andorinha, eu parti, sonhando, mas foi tudo em vão.
Voltei sem felicidade, porque, na verdade,
uma andorinha, voando sozinha, não faz verão."


Curioso notar que essa canção embalava, incansavelmente, meus dias de menina.
Interessante perceber que sua letra carrega uma série de lições. Lindas.
Não menos interessante é me dar conta de que sou andorinha, e que sempre vou, e venho.

Que um dia parti, e voltei, porque não consegui cantar sozinha, pois estando sozinha, não fiz verão.
Casualmente, este é o hino que hoje sela uma bela amizade.
Três, quatro, cinco andorinhas:
Todas indo, voltando, misturando também ao simples canto, a delicadeza e o  encanto da flor;
Brincando de ser fogo, de ser menina, de cantar feito andorinha.
Essas andorinhas fazem verão! Essas andorinhas regam flores e vivem ansiosas para cultivar e cativar outras mais.
Outras tantas, com muitas cores, cheiros e encantos diferentes.
Interessante mesmo é estar num bando de andorinhas. Sorrir com elas, e, delicadamente, fazer rir.
Com canto, com amor, com liberdade
E com perfume.

**
Nilmara Carvalho

Falta


Sentia saudade de sentar no chão. Sentia saudade do cheiro da chuva, do calor dos olhares, do contato e das mãos.
Sentia falta dos sonhos, aqueles tantos perdidos.
A saudade maior era dos sorrisos, do tempo, da conversa, das tardes no aconchego da varanda.
Tudo num simples quintal, em meio a simples conversas, com doces e longos encontros.
Era disso que eu sentia falta! E foi numa tarde, numa varanda, num final de sexta feira, que, aos poucos, me completei.

**
Nilmara Carvalho

Há tantos caminhos para andar...



"Dime si tu quisieras andar conmigo,oh, oh, oh...
Cuentame si quisieras andar conmigo oh, oh, oh" ♫


Diga-me, se você quer andar comigo, que eu lhe acompanherei! E, se quiser, chegaremos em algum destino. E se quiser, seguiremos rumo a lugar nenhum! O importante é andar junto. Se escolher andar comigo,  irei com você! Sempre com você...
**
Nilmara Carvalho


terça-feira, 11 de outubro de 2011

É essa vida...


Mas é essa vida que ousa me amar demais...
E, talvez por isso, eu também a ame tanto.
É essa minha vida que se explode em contradições. Momentos, e pontes, e oportunidades deliciosas, e sensações tão gostosas, e uma infinidade de novos destinos. Tão distintos...
Porque completa, me faz rir. Por ser necessário, possibilita o choro. A partir da dor, me restaura. Com amor, me cura. E me impulsiona a, também, curar um sem número de pessoas.
É essa vida que me abre os olhos e me faz enxergar coisas belas.
É essa vida, com seus tantos personagens, tantos amores, calores, dissabores, que me eleva;
E me permite ser menina;
E me faz caminhar, atravessar, esquecer, lembrar;
E me desenha,
E engana, aos poucos, que sou mulher...

**
Nilmara Carvalho

Carinho de flor, que me faz bem



"Do simples vou me munindo, para te dizer o essencial...
Vidas vividas, momentos marcantes, jardins floridos...Tenho muito, tenho pouco, nada e tudo a dizer...Já derramei lágrima pelo desafeto e desapego, também já sorri pelo mínimo de atenção que tive de você...tempos obscuros...PASSADO!
Já chorei de saudade antes mesmo da partida, mas tentei sorrir pra fingir que estava feliz por você seguir sozinha... já retribuímos abraços demorados, daqueles que em segundos parecem eternos...Já fiz cafuné, emendei sorrisos por horas, brinquei de bola na rua contigo, os pés descalços e cobertos de uma sujeira que deixava a alma limpa...Já disse que amava porque o coração pedia, mas também já me chateei, porque o momento e a situação eram oportunas. Já gritei, já falei baixinho... já pedi carinho pelo olhar...Já compartilhei momentos que só eu sabia e deveria saber de mim...já repousamos a cabeça no colo, não pelo cansaço, mas pela alegria de se saber que há sempre um apoio mesmo que não seja necessariamente preciso naquele instante. Já fiz isso...Faria de novo? sim...Obviamente, mas sempre acrescentando sementes novas...
Isso minha amiga, irmã e companheira...é o que nos faz ser tão apaixonadas pela vida, e nos alimenta a esperança de crer que nunca estamos sós...
Amo-te...simplesmente!!!!!!!"

Gotas de amor que recebi,
De Catiti...

sábado, 8 de outubro de 2011

Estender também as mãos


Eu sou mesmo assim: gosto de me sentar às margens...
Gosto de estar entre aqueles que a poucos olhares atraem.
Amo os gestos simples, a fala arrastada, o português pouco polido.
Amo os risos sem modos, sem freios, livres de qualquer tipo de preocupação, 
Amo os pés descalços, o contato com o chão, com o pó.
Gosto da criança pequena, que diz o que pensa, mostra o que sente e não se envergonha, nem tampouco se importa em entender o mundo dos adultos.
Gosto mesmo é do pobre, do mal cuidado, do mal amado.
E fico entre eles, pois deles saí. Pois igualzinha a eles eu sou,
Pois, olhando suas mãos estendidas, consigo perceber que, para além das necessidades materiais, elas querem mesmo é ser encontradas, por outras mãos, para, assim, apertá-las e delas receber um doce afago.
E fico com eles, ainda que não entenda o porquê, ainda que,  para eles, eu não tenha ofertado nada além de um largo sorriso, ou de um profundo olhar, ou de um breve sentir.
O que sei  é que prefiro estar com eles. É que prefiro colocar meus pés no chão e me sentar às margens...

**
Nilmara Carvalho

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Flor de lis


Difícil falar de flor. Difícil con-viver, com uma delas.
Ter uma amiga flor é uma dádiva que encanta, que colore, que embeleza a vida.
Porém, ter uma irmã flor, é algo ainda mais nobre, capaz de arrancar a neve de nossos dias maus e espancar qualquer tristeza que ouse aparecer.
Tenho as duas! Uma amiga, uma irmã. Tudo flor. Todas habitando num único ser.
Cati, Catinha, Catiti! Das tantas, é ela uma das flores mais belas.
É ela que vai, mas, porque sente saudade, volta.
Na volta, chora, canta, ri,
E abraça, e aquece, e aconchega.
E se doa, e se encanta, e embriaga de perfume.
Por tudo, sei que, quando Catiti decide voltar, ela volta e permanece.
Se ela volta, fica em mim,
Porque se esquece de levar seu canto
E o cheiro de flor.

(Para Cati, amiga que foi e voltou. Mas que, misteriosamente, nunca esteve ausente)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Dessas mulheres, piedade


[...] "Tende piedade da moça feia que serve na vida
De casa, comida e roupa lavada da moça bonita
Mas tende mais piedade ainda da moça bonita
Que o homem molesta — que o homem não presta, não presta, meu Deus!

[...]

Tende piedade da mulher no primeiro coito
Onde se cria a primeira alegria da Criação
E onde se consuma a tragédia dos anjos
E onde a morte encontra a vida em desintegração.


Tende piedade da mulher no instante do parto
Onde ela é como a água explodindo em convulsão
Onde ela é como a terra vomitando cólera
Onde ela é como a lua parindo desilusão.


Tende piedade das mulheres chamadas desquitadas
Porque nelas se refaz misteriosamente a virgindade
Mas tende piedade também das mulheres casadas
Que se sacrificam e se simplificam a troco de nada.


Tende piedade, Senhor, das mulheres chamadas vagabundas
Que são desgraçadas e são exploradas e são infecundas
Mas que vendem barato muito instante de esquecimento
E em paga o homem mata com a navalha, com o fogo, com o veneno.


Tende piedade, Senhor, das primeiras namoradas
De corpo hermético e coração patético
Que saem à rua felizes mas que sempre entram desgraçadas
Que se crêem vestidas mas que em verdade vivem nuas.


Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto alegria e serenidade.


Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.


Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e da sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso
Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.


Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.


Tende piedade, Senhor, das santas mulheres
Dos meninos velhos, dos homens humilhados — sede enfim
Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim!"
Simplesmente Vinicius...

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Concentr-AÇÃO


Preciso de algumas sessões de ioga!
Talvez essa não seja a forma mais elegante de se iniciar uma conversa, nem tampouco um texto. Mas, para ser franca, é justamente a medida mais desesperadora que se me apresenta a todo tempo.
Preciso fazer ioga, preciso fazer ioga! Se não isso, preciso clamar incessantemente por terapias semelhantes.
Pois bem, deixa-me contar o caso.
Não foi há muito tempo que desfrutei de uma exaustiva temporada de férias no meu doce e animado lar (e talvez esse seja um dos motivos ensejadores de grande parte das minhas frustrações hodiernas). Ao que se pressupõe, a ocasião DEVERIA configurar uma oportunidade ímpar de se organizar ideias, projetar metas interessantes para o semestre vindouro (no caso este), descansar, selecionar possibilidades, enfim, planejar as atividades concernentes a cada minuto posterior às benditas (bandidas) férias.
Acontece que a oportunidade, de fato, foi ímpar para tal. Eu diria que a mais ímpar de toda a minha vida! Tanto, que estive prestes a me rotular semi-metódica.
Mas os problemas só vieram, (corrija-se, continuam vindo), depois. O fato é que, após ter em mãos todos os objetivos e cronogramas, sobretudo no tocante ao meu desempenho na faculdade, acabei por “retirar das mãos”, algo muito interessante que outrora praticamente se confundia com meu nobre ser: a tal concentração.
Exatamente! Se você está pensando que me refiro àquela incapacidade momentânea de se focar em algo, de concluir uma leitura, uma meta, um esboço, um projeto, você quase acertou, exceto pelo termo “momentânea”. O grande diferencial é que, em mim, esse processo tem se tornado uma constante.
Talvez a própria palavra já traga, em sua composição, uma controvérsia que me deixa atordoada: concentr-AÇÃO. Pronto! Minha mente só consegue conceber “Ação” e, durante o sugerido ato solene, eu acabo me agitando feito um liquidificador em velocidade máxima, o que me permite fazer qualquer coisa, exceto concentrar.
Não sei o que me ocorre. A única coisa que sei é que o toque do telefone do vizinho, a frenagem do carro a três ruas de minha casa, o som da água fervilhando (a essa altura, já possivelmente em seu estado gasoso) que espera, cansada, por algo que lhe converta num bom cafezinho, e, até mesmo o canto das aves a dezenas de quadras distante, são infinitamente mais atraentes do que qualquer coisa que me proponho a fazer com seriedade.
Talvez a existência de metas, que se assemelham a uma obrigação a se cumprir, me deixa relativamente incapaz (jeito chique de dizer que fico insana, desvairada, doida varrida, e o detalhe: poucas pessoas além de um estudante de direito são capazes de compreender isso) e, tentando executá-las (estou falando das tais metas) de uma só vez, acabo por não iniciar, com qualidade, sequer uma delas.
Definitivamente, preciso de ajuda! E isso é sério! (Se você teve a audácia de gracejar desse meu nobre pedido, dou-lhe um honesto aviso: vá também procurar ajuda antes que seja tarde).
Enfim... acho que vou procurar, nos becos de minha cidade, um ambiente decente onde se pratique ioga!

**
Nilmara Carvalho

domingo, 2 de outubro de 2011

Um pouco que basta...




Duvido muito que possa existir algo mais delicioso a se fazer num domingo do que ouvir música, ler um bom livro e entoar intermináveis gargalhadas com quem amamos...
Duvido!


**
Nilmara Carvalho

Senhores da própria história



"Não existe estrada com apenas um destino, não existe rocha que não se rompa com muita água. Podemos refazer ou destruir. Comprar a bicicleta e casar. Ou não casar e andar por aí. Basta que nos pensemos enquanto sujeitos de nossas histórias, deuses que jogam os dados."
(Reflexão bonitinha de Manuela)