domingo, 25 de setembro de 2011

Redirecionar




...Agora é hora de reiniciar, de pensar na luz, de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Um corte de cabelo arrojado diferente, um novo curso, ou aquele velho desejo de aprender a pintar, desenhar, dominar o computador, ou qualquer outra coisa. Olha quanto desafio, quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando…

Hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar? Alto? Sonhe alto! Queira o melhor do melhor. Queira coisas boas para a vida. Pensando assim, trazemos prá nós aquilo que desejamos.

...Jogue fora tudo que te prende ao passado, ao mundinho de coisas tristes. Fotos, peças de roupa, papel de bala, ingressos de cinema, bilhetes de viagens e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora, mas principalmente esvazie seu coração. Fique pronto para a vida, para um novo amor.

Lembre-se, somos apaixonáveis, somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes, afinal de contas, nós somos o “Amor.

Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.

(Drummond nos sugerindo coisas boas...)

 *****
Creio em cada palavra. E hoje cortei meu cabelo. Também joguei fora os trapos...
Estou esvaziando meu coração aos poucos, permitindo que o amor venha, sonhando mais, desejando "o melhor do melhor"...
Confesso: isso tá me deixando tão bonita!


Sê inteiro!


Para ser grande, sê inteiro:
Nada teu exagera ou exclui
Sê todo em cada coisa.
Põe quanto és no mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda brilha,
Porque alta vive.


(Obrigada, Pessoa! Esse é meu refúgio, minha fonte, meu maior estímulo...)

sábado, 24 de setembro de 2011

Acredito


"Eu acredito,
O sonho é meu.
Eu sigo acreditando.
E não paro um segundo de acreditar.
Porque tudo é vivo,
Vibra,
Brilha."


Acredito em momentos felizes.
Também que eles habitam as entrelinhas.
Tenho fé na caminhada.
Creio em cada cor que levo;
Nos ventos que fazem meus balões dançarem,
Também nos vendavais que lhes dão força e autoridade.
Acredito no hoje.
Tenho fé nos sonhos,
Fé nos homens...


Lá é primavera...

Ainda assim...

Não me constranjo de sentir-me alegre,

De amar a vida assim, por mais que ela nos minta...



(Mario Quintana )

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Indignação


“A nossa indignação é uma mosca sem asas
Não ultrapassa as janelas de nossas casas.
Indignação, indigna
Indigna, inação...”

Esse é um trecho de música que sempre me agradou. Porém, somente hoje, foi capaz de me mover a uma reflexão.
"Estar indignado" não é uma reação muito nova, dentre as tantas que manifestamos.
Ficamos indignados com a música, com a política, com o futebol, com os amigos, com os amores, com os lugares que frequentamos, com os discursos enganosos.
Indignamo-nos facilmente. A todo tempo.
Mas o que fazemos com isso? Ou, qual o objetivo dessa sensação revoltante?
Poucos descobriram...
Maior parte prefere se indignar porque tá na moda! Outros se indignam apenas para chatear os que estão à sua volta. De todos, raros são os que não se calam; poucos os que não permitem que a própria indignação exploda em si, amargando a boca e os ouvidos.
Porém, sobre isso, temos ainda opções: deixaremos esse sentimento nos mover? Transformaremos, a partir dele, que seja um pequeno pedacinho do mundo? Seremos capazes de mudar nossa atitude? Ou simplesmente admitiremos, em silêncio, a verdade da música?

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

E esqueça


Não mais nos preocupemos com o que poderia ter sido dito.
Não mais nos preocupemos com a perda.
Nós optamos por embarcar n’outra estação.
Escolhemos renunciar o sentir, escolhemos modificar os sonhos. 
Mas, se ainda hoje, insistirem em vagar, pelas brechas de seu coração, lembranças do pouco que colheu de nós, então me ame! Ame com toda a força do seu amor.

'Se, porém, sentir saudade, admita isso e sinta saudade...
Envia-me amor e luz sempre que pensar em mim...
Depois esqueça!'

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Ponta-cabeça


Viraram-me de ponta-cabeça.
Só pra eu notar que meu lado certo é o avesso.
Sigo a direção pra onde ninguém vai e insisto em permanecer andando,
Somente na certeza de encontrar algum lugar,
Somente na esperança de, por certo, me alegrar com qualquer chegada.
Ninguém quis fazer isso...
Gosto dos sabores que nenhum paladar aprova,
Ouço os sons que a muitos não agradam.
Minha vida é revirada. Não há ordem sequer em minha desordem.
E não tem jeito: só aprendi a andar na contramão...
Caso contrário, me perco,
Caso contrário, não sei voltar pra casa.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Carta de amor


A Gilberto e Bia, meus senhores, meus amores

Faltam-me palavras para descrever a magnitude dos mais singulares gestos dessas criaturas! Sim, essas mesmas que, juntas, formam um ser paradoxalmente adornado e cândido.
Mais que uma mãe presente, dedicada e carinhosa, você é minha melhor amiga e companheira.
Mais que um homem divertido, responsável e batalhador, você é, pai, o amigo mais doce e fiel que toda e qualquer pessoa gostaria de ter.
Não quero despejar nesse humilde papel, palavras ilusórias, que distorcem ou omitem o que verdadeiramente sinto.
Meu objetivo é carregado de modéstia: Quero apenas demonstrar, mesmo que timidamente, o quanto vocês são especiais.
Sr. Gilberto e Dona Beatriz, se o amor é esse sentimento grande e arrebatador, se é essa força que nos mantém unidos, mesmo quando enfrentamos tribulações, sei que vos amo!
Mas, se o amor é partilha, se é esse vínculo intransponível que nos torna inseparáveis, e, se ele vem como brisa suave em meus dias, que de tão quentes,  sem o toque de ambos seriam quase agonizantes, então estou certa de que não os amo, mas que já nem saberia mais viver sem vocês!
Quero parabeniza-los, porque para tanto são dignos, e dizer que os aguardo, diuturnamente, em nosso lar para podermos brindar os presentes que Deus nos consagra.
E, pelo dito, e por quanto mais não sou capaz de me recordar, eu vos AMO, ADMIRO, e AGRADEÇO...

Sua filhinha.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Lapidar





Tenho notado que pouco de nós é absolutamente nosso. Ou não sabemos o que de fato é! E talvez reconheçamos que nada somos, que pouco temos, ou que, por tudo, não somos!
Quando muito, gota a gota, nos fazemos! 
Gradativamente, constantemente.
Se admitimos que somos gente, assumimos também nosso dinamismo. E, consequentemente, que somos capazes de transformar nossa realidade para então, ou talvez, evoluir.
Os gostos, os desejos, as necessidades... Tudo quanto há em nós é passível de mudanças. 
E é justamente assim que deve ser. 
O tempo, quando bem acolhido, lapida, nos convida a ser melhores.
Talvez um jeito de conceber essa premissa seja observando o crescimento de uma criança.  Em seus dias, tudo muda, tudo é aprendizado. Somos crianças ainda. Umas de pouca idade, outras no topo da maturidade, mas todas desejando ser melhores.
Sou menina também! Por isso, creio que poderei ser melhor. Creio que aprenderei mais.
Se cremos nisso, ainda que longo seja o processo; ainda que doloroso: nos deixemos ser moldados! Constantemente, em cada detalhe.
Se preciso, acolhamos a dor da lapidação. Somente para nos tornar preciosos, somente para nos fazer brilhar!

Certamente eu vou ser mais...


Feliz.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Lida



Doente, com muitas dores, sofrendo por tantos amores: a cura é trabalhar.
Estando sem sonhos, ferida, cansada: descanso no trabalho!
Se, porém, o desânimo me alcança, o melhor jeito é procurar uma tarefa. Nem que seja tão somente para me recordar de que a vida reina em mim e que o diferencial em estar vivo é, sem dúvida, o fato de poder me mover. E viver só ganha sentido a partir da constância do movimento.
Na lida, sempre uma ação. A cada ação, sempre uma reação. E o resultado natural é a cura, o avivamento.
O trabalho é isso: Uma gostosa sensação de utilidade que, ora preenche os poros, ora descansa o corpo.
Estou cansada agora. Preciso voltar ao trabalho...

sábado, 10 de setembro de 2011

Inspiração


Há muito em mim. Há muito de mim que não é meu.
Preciso confessar, preciso jogar tudo pra fora...
Os anos, os risos, as brigas. Os ciúmes, o reconhecimento, o choro. As tantas dúzias de sensações vividas. Tudo foi capaz de moldar-me, quase que fielmente, a ele.
Não sei bem como apelidá-lo aqui. Fosse há alguns muitos anos, talvez Didi. Fosse há alguns poucos anos, talvez Juninhor.  Hoje, talvez pelo cansaço, prefiro algo mais simples: Digo Ju.
Os gostos, as cismas, os medos, a sensibilidade. Tudo quanto há em mim assemelha-se a um perfeito reflexo do que nele é gritante.
O amor que sinto por ele é muito fácil de ser compreendido: Ora, se vejo nele traços meus, amá-lo é, portanto, uma condição necessária ao bem estar dos meus dias.
Ironicamente, o termo que melhor o define é hoje motivo de grande realização em sua vida: Ju é minha força inspiradora! Ju me inspira! Juntos, inspiramos amor e não fazemos outra coisa senão escancarar os laços e acelerar, sobremaneira, o pulso.
Ele soube me amar, me cuidar, me ensinar a ser mulher, ainda que outro fosse seu desejo. Ju soube proteger o que em mim era frágil, sem, porém, deixar de fortalecer aquilo que considerou vigoroso.
Não escrevo por um mero acaso. Escrevo porque preciso bradar aos ventos, com coragem, ao menos um minúsculo das tantas coisas que ele depositou em mim.
Definitivamente, não escrevo estas coisas por mero acaso! Escrevo porque Ju me inspira...


Cansada...



Partilho com vocês parte do meu cansaço, este mesmo que, em parte, fora descrito nesta preciosidade:


"Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."


Álvaro de Campos, in "Poemas"

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ser a mudança que queremos para o mundo...


Na palestra, André Trigueiro fala sobre "consumo" e "desevolvimento sustentável"...
Considerei interessante! Gaste esses 15 minutos! Estou certa de que será muito proveitoso!
Após isso, convido-lhe a também repensar esse consumo, para que o utilizemos não por ostentação mas por necessidade.

Sangrando

"E se eu chorar e o sal molhar o meu sorriso, não se espante, cante, que o teu canto é minha força pra cantar”...

Não há manhãs constantemente tranquilas. Não se pode viver sem sofrer.
Sorrimos, choramos, cantamos, sangramos.
Sangrar, ao contrário do que parece, é um processo que devolve a vida.
Mas, o sangrar verdadeiro exige coragem, perseverança, tempo! Somente quem aprende a sangrar, é capaz de eliminar os excessos e as dores da alma.
Sangrando estou. Cantando estou. Se, do mesmo modo, você escolher cantar comigo, certamente nosso sangrar será menos doloroso.Também mais completo. E assim, mais intenso. Frutuoso, enfim...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Chega pra envolver. Envolver, querer...♥


E foi...

 

Foi num pequeno pedaço do interior que ele surgiu.
Foi em meio a tantos espinhos que ele se viu.
Foi numa pequena reflexão que ele decidiu,
E foi nesta decisão que ele cresceu!
Amou, andou, sorriu, estudou. Muito...
E se foi... Foi pra longe, pra bem forte brilhar.

, foi sem perceber, que, noutro dia, me encontrei num sincero pranto. E no pranto, me orgulhando profundamente de ti.
Longe estamos. E, por muito tempo, longe, um do outro, ficamos. Mas, ainda assim, foi possível nutrir, por você, profundo carinho e admiração. É o sangue, é o amor.
Na distância, choro. Na distância, oro! Na distância, faço do meu contentamento um motivo para estar presente.
Vá! Vá sim, para cada vez mais longe! Vá subindo sempre mais. Porque você é um astro, no alto é seu lugar!

Mulheres III


Há quem diga que somente é capaz de ensinar aquele que soma as tantas idades, com suas tantas experiências; aquele que, por ter aprendido com as idas e vindas das estações, sabe o enredo da vida e se delicia em cantá-lo aos ventos que por ele se encantam.
Não penso dessa forma! E nem poderia...
Importo-me, profundamente, pelo aprendizado. Por tal motivo, tento transformar o mero interesse em realidade concreta dos meus dias! Apender, a partir de cada detalhe, de cada encontro, é um dos meus mais sinceros ideais.
Há mulheres, dessas com pouquíssima idade, que têm me ensinado desmedidamente.
Há uma menina, mulher, que é fonte viva de coragem, desejos e sutilezas. Por essa mulher, quase menina, eu grito Iza!
Iza habita um corpo frágil, feito, perigosamente, de chama e mistério. É alguém que, surpreendentemente, nos mostra que dela nada sabemos.
Seus olhos ativos e discretos apenas desviam nossa observação e nos induz a crer que ali existe um alguém previsível. Ela não é alguém previsível. Jamais será!
Sorvi dela, ainda que involuntariamente, a mulher de coragem, que preserva os mais instigantes mistérios e vive a partir de um jeito novo, intenso e suave.
Essa garota ousada, sensível, gigante, faz parte dos meus dias. Às vezes vai, às vezes volta, mas sempre, em mim, permanece.


Mulheres II

 

Não há outro jeito de saudar. Não há outro jeito de se aproximar...
O ritual é sempre o mesmo: Um olhar profundo, um enlaçar de mãos, um afago nos cabelos, um beijo na face. Enfim, um abraço suave, bem demorado...
Dentre as tantas mulheres, essa tem cheiro de jardim de Deus.
O acúmulo dos anos, das dores, dos amores, foi capaz de deixá-la mais bela, mais sensata, mais calorosa.
Dinha é aquela mulher dengosa, charmosa, paciente, amável.
Com ela, aprendi a olhar a alma, desvelar os segredos. Sem muito falar, apenas ouvindo atenciosamente e sorrindo timidamente.
Aprendi a valorizar os segundos, o calor de um abraço, a mágica de um encontro.
Acariciar meus cabelos, beijar minha face, oferecer uma comida quentinha e saborosa, é o jeito que ela encontrou para me amar. Tudo bem devagarinho, como num fogão de lenha.
Não é simplesmente uma avó. É minha Dinha. Uma rosa em forma de mulher, que, pacientemente, insiste em querer me fazer flor.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Já raiou a liberdade...

 

Sim, a liberdade de fato "já raiou", em algum Horizonte desse nosso País! Mas os raios, porque impedidos, não brilham para todos, nem tampouco se revelam com notória intensidade, como deveriam!
Mais uma vez é 7 de setembro. Mais um vez nos é ofertado o passaporte rumo à independência.
Alguém vai?

"Ou ficar a pátria livre, ou morrer pelo Brasil"?

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Simplesmente eu posso esperar...


"Até deixar um recado na tarde
Uma simples saudade
Que você vai sentir quando sentar-se a mesa
Uma simples certeza
Que agora é você quem espera por mim...
Simplesmente, posso esperar."

Mulheres

 

Nunca entendi o real sentido da expressão: “sexo frágil”.
Porém, após alguns instantes de reflexão, pensei que, talvez, o motivo de tal incompreensão resida em minha incapacidade de conceber como real aquilo que, a mim, se revela essencialmente abstrato. É bem simples: se não vejo mulheres de “sexo frágil”, jamais saberei o que a expressão, porventura, possa denotar.
Tenho o imenso prazer de olhar, bem no fundo, os olhos cansados, porém brilhantes, de mulheres que lutam incessantemente por seus ideais.
E são mulheres de tantos ideais! Há as que derramam gotas de sangue e suor por seus filhos e pelo lar. Há as que rasgam limites e preconceitos para pregarem a solidariedade e a justiça. Há as que nasceram para distribuir sabedoria! Outras, porém, surgem delicadamente em nossos dias e, com igual delicadeza, nos apresenta o amor e, junto com ele, também um mundo mais suave, mais caloroso, cintilante...
Há grãos dessas mulheres em mim! Cada uma delas trouxe um elemento novo para, lentamente, construir o que hoje sou.
E eu as encontrei pelos becos de meu caminhar. Pelas sombras das minhas dores, pelos pequenos espaços cotidianos.
Aos poucos, falarei sobre as mais marcantes. Num cantinho bem aqui. Só pra elas!

E agora?


“Attraversiamo”


Ler um bom livro, um bom poema, ou até mesmo um pequeno texto, sempre foi um jeito muito interessante de compreender o amor, nossos relacionamentos, e, enfim, a vida.
Se optarmos por amar muito, em igual proporção, ou em proporção superior, sofreremos! Porém, nem sempre entendemos por que o sofrimento ocorre. Aí, a medida mais imediata, porque impensada, é temer o amor, deixar de amar.
Li outro dia, que para existir, o amor sempre precisou dar as mãos para o sofrimento. E acabei por adotar essa premissa!
Estamos acostumados com a ideia de que “devemos” ser amados e viver “felizes”. Porém, esse pensamento é, sem sombra de dúvidas, muito egoísta.
Jamais podemos esquecer que o “amar”, verdadeiramente, envolve doação e renúncia. Quem ama se preocupa com o ser amado e é feliz por fazê-lo bem, e não por se sentir bem a todo tempo.
Quem ama não aprisiona. Ao contrário, cuida das asas feridas do outro, para que elas possam novamente alçar voo.
Por mais que pareça difícil conceber, o amor estará sempre envolto por pesados cobertores de sofrimento. O sofrimento por vezes dói, por vezes nos cala e, se não cuidamos, nos distancia de quem precisa de nós.
Mas as dores, as preocupações e as perdas só enobrece o sentir daquele que, sem medo, ama!
Por isso, recebamos essa ponte estreita que é o sofrimento! Que amemos sem medida, com coragem! Soframos por isso, e em seguida, “attraversiamo”, para o lado mais nobre.

Tempo


A gente passa a infância inteira sonhando com a adolescência. O Desejo é que ocorram mudanças radicais! Projetamos em nossas mentes um novo corpo, novos gostos, sabores e amores. Queremos o avançar dos dias para podermos, logo, trilhar sozinhos.
Na adolescência, arquitetamos um novo querer: vislumbramos a independência do adulto e sonhamos com o dia em que abandonaremos definitivamente o peso dos tantos conflitos, comuns da fase que, sábia e lindamente, nos foi presenteada.
Mas, quando, enfim, nos tornamos adultos, os sonhos são perdidos e o caminhar incessante, apressado e vigoroso não nos interessa mais, pois, teoricamente, o destino que nos aguarda é a velhice e, como bem se observa, adulto tem mania de desprezar, equivocadamente, a velhice.
Seja no auge na virilidade, seja no beirar da maturidade, precisamos conjugar o tempo. Porque tempo pra nós é verbo, tempo pra nós recebe conjugações distintas a depender da etapa vivida.
A vida ultrapassa estações e, com muita pressa, avança fases.
Então, nos esforcemos mais, para que os sonhos de agora não sejam esmagados pelo peso do futuro, nem tampouco pela sombra nostálgica do que já não mais existe.
Que os sonhos de agora tenham cara de presente e nos molde para viver de forma bonita tudo que de bom nos é apresentado. Com muito amor, sem pressa.

Partir e nunca mais voltar...


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O jovem


O que há no jovem que o torna capaz de esconder nos olhos todos segredos do universo?
Só ele condensa o calor do sol e o brilho das estrelas num único sorriso. E grita, e chora, e fala, e sorri, e canta.
Basta o cair da noite para, naquela roda de esperanças, caírem também todas as tristezas e frustrações do dia, porque quem é jovem não se frustra com o ontem que não deu certo. Quando muito, apenas se entristece com o “hoje” sem muito prazer...
Quem é jovem tem a capacidade de tornar o presente intenso, de viver como se fosse o último dia, de escancarar os sentimentos.
Seu vigor é irradiante e sua preciosidade, muito embora carente de lapidação, rara!
Uma roda, um violão, um encanto...
E o amor é mais uma vez celebrado, como que num ritual precioso;
E as feridas são curadas;
E o sorriso de Deus os guarda na noite silenciosa;
E já são quase dez, e tudo se acalma...
E o violão se cala, e as vozes se distanciam, e o jovem vai sonhar.


Rosa de Papel ♥


Se a tua felicidade depender do meu amor, saiba que será feliz para sempre”
Era apenas isso que dizia a mensagem numa rosinha de papel.
O dia era de festa. Eu me preparava para uma noite linda, com música e alegria, olhares e encantos.
Mais uma vez, desejava e imaginava que seria feliz a partir das coisas que idealizo.
Mas a noite não parecia diferente daquilo que idealizei. Onde estava eu dancei, sorri, olhei os olhares calorosos, me emocionei, percebi florescer crescente e estrondeante as melhores sensações.
Mas, o que eu jamais poderia esperar, ocorreu: Em meio à multidão, recebo uma rosa. Uma rosinha feita artesanalmente. Uma rosinha que teve uma história. Uma rosinha que pra existir precisou de uma razão muito forte, que talvez eu jamais possa conhecer.
Mas o ato de ganhar uma rosa vermelha de papel não sugere tanta coisa, pode ser algo rotineiro entre casais que, apaixonados, fazem coisinhas meigas para sempre mais agradar.
Porém, no meu caso, foi diferente: Não recebi a rosa por um gesto automático, previsível. Minha rosa veio acompanhada de amor. Veio de alguém que distribui gentileza, que evangeliza sem saber.
Recebi uma rosa, não porque merecia, mas porque precisava. Diante do desprezo: susto. Diante da repulsa: Sorriso. Diante da distância: Uma rosa.
Pronto! Fui tão amada em alguns segundos que guardei e amei minha rosa de papel.